Como escolher um fornecedor de IA: 12 perguntas antes de assinar

A demonstração sempre funciona. O que separa um projeto que entrega de um que morre no terceiro mês são doze perguntas que quase ninguém faz na reunião comercial.

Resposta curta

Antes de contratar um fornecedor de IA, exija clareza sobre cinco pontos: quem fica com o código e os dados, qual o custo total incluindo consumo de modelo e manutenção, como o sistema se integra ao que você já usa, qual indicador define sucesso e quem responde por ele, e como o fornecedor trata LGPD e retenção de dados. Um fornecedor que não responde a isso por escrito está vendendo demonstração, não projeto.

Toda demonstração de IA funciona. Ela foi ensaiada, roda em dados limpos e ninguém faz a pergunta esquisita que o seu cliente faz todo dia. A conversa que importa é a seguinte, e ela cabe em doze perguntas. Se o fornecedor responde a todas por escrito, você provavelmente está diante de alguém sério — inclusive se a resposta for "isso não dá para fazer".

Propriedade e dependência

  1. O código-fonte e as automações ficam com a minha empresa, com documentação? Se a resposta for não, calcule o custo de sair antes de entrar.
  2. Se eu encerrar o contrato amanhã, o que continua funcionando e o que para no mesmo dia?
  3. Os dados ficam em infraestrutura minha, do fornecedor ou de um terceiro? Consigo exportar tudo em formato aberto?

Custo real, não preço de proposta

  1. Além da implantação, quanto custa por mês: consumo dos modelos de IA, hospedagem, licenças e suporte?
  2. O que acontece com o custo quando o volume dobrar? Existe cobrança por usuário, por mensagem ou por token?
  3. Manutenção está inclusa ou é cobrada por chamado? Quem paga quando uma integração quebra por mudança de um terceiro?

Projetos de IA têm um custo variável que projetos de software tradicional não têm: cada conversa consome capacidade do modelo. Uma proposta que não separa implantação de custo recorrente está escondendo a conta que chega no segundo mês.

Integração com o que já existe

  1. Como o sistema conversa com o meu ERP, CRM e WhatsApp? Existe API documentada nos dois lados ou vai depender de automação sobre tela?
  2. O que acontece quando a IA não sabe responder? Existe caminho explícito de escalonamento para uma pessoa?
  3. Como vocês evitam que a IA invente informação sobre preço, prazo ou política da minha empresa?

A nona pergunta é a que separa implantação séria de improviso. A resposta aceitável envolve base de conhecimento fechada da própria empresa e instrução explícita para escalar quando a informação não existe. A resposta preocupante é alguma variação de "o modelo é muito bom, isso não acontece".

Sucesso, governança e responsabilidade

  1. Qual indicador numérico define que este projeto deu certo, e em que prazo? Quem mede?
  2. Dados pessoais dos meus clientes serão enviados a modelos de terceiros? Onde ficam os servidores e existe cláusula de não uso para treinamento?
  3. Quem responde perante a LGPD por esse tratamento, e isso está no contrato?

A décima pergunta costuma provocar silêncio. Um fornecedor que aceita ser medido propõe o indicador antes de você pedir. Um que desconversa está vendendo horas, não resultado.

Três sinais de alerta

  • Proposta fechada sem diagnóstico. Ninguém consegue orçar com honestidade um processo que não mediu.
  • Prazo curto demais para escopo grande. Integração com sistema legado é onde os projetos atrasam, sempre.
  • Promessa de percentual de ganho antes de ver os seus dados. Quem garante "60% de redução" na primeira reunião está chutando.

Um teste simples antes de decidir

Peça ao fornecedor que descreva, em uma página, o seu processo atual como ele entendeu. Não a solução: o problema. Quem entendeu a operação escreve isso em poucos minutos e acerta os detalhes. Quem não entendeu produz um texto genérico que serviria para qualquer empresa do seu setor — e é exatamente o projeto genérico que você vai receber.

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